Portugal fashion: bloom 2016

Seis alunos finalistas da Licenciatura em Design de Moda da ESAD apresentam as suas coleções no espaço BLOOM do Portugal Fashion 2016: Ana Eusébio, Cláudia Duque, Denise Brosseron, Francisca Sottomayor, Lúcia Pinheiro e Mariana Campinho.

O desfile da ESAD acontece a 14 de outubro, pelas 11 horas, no Palácio dos CTT, no Porto.

Os projetos apresentados contam com a orientação de Maria Gambina, coordenadora da Licenciatura, e com o apoio de Paulo Cravo, Aurélio Marques, Anita Gonçalves, Catarina Lopes, Helena Cordeiro e Helena Sofia Silva, docentes na ESAD.

No dia anterior, 13 de outubro, no mesmo local, realizam-se os desfiles individuais de dez designers emergentes no panorama da moda nacional. Cinco dos designers são licenciados da ESAD em Design de Moda: Beatriz Bettencourt (2014/15), David Catalán (2012/13), Eduardo Amorim (2012/13), Inês Torcato (2013/14) e Olimpia Davide (2014/15).

A entrada no espaço BLOOM é livre.


https://vimeo.com/187336313


Lúcia Pinheiro

I belive in pink
Para a coleção I believe in pink SS 17, Lúcia Pinheiro teve como ponto de partida The Six & Five Studio e imagens geométricas. As silhuetas da coleção partem de um jogo de corte e colagem de semicírculos e retângulos. A paleta cromática define-se a partir de imagens que nos remetem para um universo fantasioso, onde o lilás assume uma personalidade feminina e inocente contraposto a um azul noite, mais místico e obscuro. Toques de prateado reforçam o trabalho de The Six & Five Studio, onde a presença constante de rolos de fita-cola prateada nos surge numa atitude gráfica e contemporânea. Os materiais são técnicos, sublinhando o lado contemporâneo de The Six & Five Studio. Forros estampados à mão aleatoriamente por uma trincha e tintas próprias intensificam as imagens arquitetónicas, que mostram paredes a ser pintadas, ou já pintadas, revelando sempre pequenos locais descobertos de tinta. I believe in pink transporta-nos para um universo de linhas geométricas numa atitude clean e contemporânea.
Lúcia Pinheiro tem o apoio de PEGINU - Indústria de Calçado.

Francisca Sottomayor

Anomaly
Francisca Sottomayor apresenta Anomaly, coleção de SS 17. O conceito japonês de Wabi Sabi tem como um dos seus valores encontrar beleza na imperfeição. Esta coleção pretende comunicar este valor segundo a visão da designer. Anomalia é, num sentido amplo, tudo aquilo que se desvia da normalidade e que, portanto, pode ser considerado imperfeito. Sentindo a necessidade de ir às “origens” e de as desconstruir, as calças e camisas clássicas foram o ponto de partida para a criação dos detalhes da coleção. Os detalhes das calças clássicas foram desconstruídos e aplicados nos tops - vincos e carcelas ganham um novo propósito, criando uma anomalia visual. Da mesma forma, para as calças foram usados detalhes das camisas - pés de gola, golas, mangas e punhos conferem às peças uma nova dimensão. Os vestidos fundem os detalhes dos dois universos como elo de ligação. A música Amandine Insensible, da artista holandesa Sevdaliza, influencia a criação das silhuetas pela melancolia que transmite. Silhuetas retas e fluidas são exploradas, como se se tratasse de um estado de profunda ausência mental e esmorecimento. Os decotes profundos e o comprimento das peças dão ênfase à sensação de desolação, como se obrigassem a pessoa a arrastar-se pela noção de existência proporcionada pela força de gravidade. Amandine Insensible retrata uma mulher que não consegue ser ela própria. É tudo o que os outros querem que seja porque não consegue deixar de ceder à pressão social. As cores principais da coleção, o preto e o cinzento, refletem o sentimento de exclusão - sentimento esse presente em todo o ser humano que apresente uma doença, uma forma de estar desigual, uma irregularidade física ou visual, uma insegurança, uma instabilidade mental - tudo o que a faça desviar do que é considerado regular pela sociedade. O verde água aparece de relance em detalhes, nomeadamente nas casas de botões de alfaiataria exploradas ao longo da coleção, para retratar a doçura e fragilidade presente nas pessoas com desvios, mentais ou físicos. A melodia do piano que acompanha a música contrapõe todo o mistério e estranheza que a música faz sentir, dando a sensação de elegância. Tecidos clássicos masculinos, delicados e malhas finas constroem as peças da coleção.

Cláudia Duque

Light Revolution Match
Light revolution match é uma coleção que transmite tranquilidade e  fluidez em contraste com peças mais rígidas e divertidas. O futebol americano e as obras dos artistas Dan Flavin e James Turrell foram a fonte de inspiração de Light revolution match,  criando uma ligação entre desporto e vida boémia. As silhuetas em V com ombros descaídos, assim como detalhes localizados volumosos, pespontos assumidos e cintas/cós largos e subidos têm como referência os uniformes e as proteções dos jogadores de futebol americano. Os cortes localizados transmitem-nos um movimento que surge no desporto e nas obras dos artistas. A paleta cromática em degradé leva-nos aos efeitos de luz que os artistas criam nas suas obras. O branco surge reforçando o lado mais gráfico do desporto, mas ao mesmo tempo como cor que nos transmite serenidade e um aspeto limpo. Os materiais transmitem esta dualidade light/hard, se por um lado são técnicos e rígidos, por outro são naturais e fluidos.
Cláudia Duque tem o apoio de LA moda.

Ana Eusébio

Hara
Ana Eusébio cria a coleção feminina SS 17 Hara, inspirando-se no sobreiro, árvore tipicamente portuguesa, aplicando all-over a cortiça, tão característica do sul de Portugal. Explorando as potencialidades deste material surgem peças tingidas, recortadas e queimadas de modo a exibir a sua singularidade. É apresentada uma silhueta oversize, onde os detalhes inspirados no período Edo são evidenciados, atribuindo volumes, dimensão e individualidade a todas as peças. Ao observar a cultura japonesa é ainda significativa a associação à azulejaria, e a ligação que se pode realizar com Portugal ao investigar-se esta técnica centenária. Dessa forma surgem acessórios únicos, provenientes da exploração da técnica utilizada pela artista israelita Zemer Peled nas suas instalações, que nos remete para um mundo subaquático ao reutilizar fragmentos e estilhaços de louça. Transmitindo a ideia de serenidade, paz e bem-estar interior, estados tão procurados pela civilização mencionada, Hara, em tons de azul e branco com apontamentos de bordeaux, difunde um ambiente de harmonia e equilíbrio. Esta atmosfera é encontrada em Metaphysik de Michele Durazzi, onde natureza e arquitetura se fundem, transportando-nos para uma dimensão onde o ócio é acessível. Focando-se na mulher contemporânea, Hara pretende acentuar a necessidade de inspirar tranquilidade na sociedade hiperativa em que esta se encontra. São apresentadas peças únicas e delicadas que balançam num corpo, pronunciando um estado de calma e quietação tão cobiçado nos dias de hoje.
Ana Eusébio tem o apoio de LE.MO.KE.

Mariana Campinho

Antagonism
A coleção Antagonism, tem como influência o filme The Danish Girl de Tom Hopper, baseado no romance de David Ebershoff, inspirado na vida das pintoras dinamarquesas Lili Elbe e Gerda Wegener. O filme é protagonizado por Eddie Redmayne no papel de Lili Elbe, uma das primeiras transexuais a submeter-se a uma cirurgia de mudança de sexo. Antagonism tem como inspiração a lingerie dos anos 20, vincada pelas personagens do filme. É a partir desta referência que decorre toda a coleção, sendo desenvolvidos vestidos e soutiens que evidenciam o conceito de lingerie através da silhueta em I, cores nude e tecidos sedosos e com brilho, como também os detalhes criados através de fitas decorativas inspiradas na época. Esta coleção teve também como referência significativa a história do conflito interior de um transexual traduzida através dos exteriores com silhuetas oversize, detalhes militares inspirados em fardas do exército, e desconstrução evidenciada pelas fitas de nastro e ajustadores, aplicados no meio (frente e costas) dos casacos. Quando eles se movimentam, deixam transparecer os vestidos fluidos de seda, traduzindo o florescer de uma nova pessoa que estava presa num corpo que não lhe pertencia, mas que se sujeitava a suportá-lo pela sua natureza. Os materiais aplicados nos exteriores são tecnológicos, de dupla face, numa paleta rosa pálido e cinza frio.

Denise Brosseron

Kundalíni
Kundalini coleção desenvolvida para a SS 17, emerge duma preocupação relativa à problemática das variadas doenças do foro psicológico. Dimensão muitas vezes abordada, pelos leigos e não só, através o crivo da razão/desrazão, da imagem sensação do complexo corpo-mente enfermo, do ensejo de isolar o paciente e o drama dos seus afetos da sua dimensão social. A história mostra que esta temática atravessou as sociedades com muita frequência e que a abrangência da mesma e as respostas às perturbações individuais e sociais daí decorrentes receberam tratamentos diversos. A retração, que o grupo portador do seu sentimento partilhado de homogeneidade experimenta, abre no mesmo momento a consciência duma necessária solidariedade e a urgência de um diálogo. Mas não raras vezes, a dificuldade para desenvolver este último se consumiu na tranquila certeza que tinha de se reduzir o heterogéneo ao silêncio. Com o sentimento e perceção de sufoco, loucura, insanidade, confusão, e muitas vezes de realidades vividas extra-corporalmente, o "doente" confronta-se então à dimensão da ordem e da sua perturbação: esta ordem que a razão manifesta nas leis das coisas e dos homens. Manter sob silêncio a "desrazão” leva assim, e levou até bem pouco tempo em moldes deveras trágicos, até a retirada total do mundo com as formas de internamento. Pretende-se que o público experimente através das peças esta sensação de apresamento e, talvez, num segundo tempo, seja levado a meditar sobre as condições de existência que muitas pessoas conhecem devido aos “tabus” e o necessário diálogo. Com a caminhada e emergência do sujeito, que até na sua relação ao divino deverá pouco a pouco tomar as suas responsabilidades, mergulhou-se nas dimensões estéticas, artísticas e ética dos séculos XVI, XVII e XVIII. O Renascimento, com a sua redescoberta das regras e realizações dos egípcios, gregos e romanos. O Barroco – perola irregular -vai assim oferecer ou por a vista El gran teatro del mundo. Nesta arte que se organiza como retórica, o observador é obrigatoriamente interpelado, pris à partie. Versailles representa assim um dos arquétipos ideais desta encenação com um Le roi danse e a sua indumentária. Esta profusão de temas e formas, no rigor dos códigos e símbolos próprios a qualquer comunicação, serviu como inspiração para a construção de silhuetas e pormenores, que não se sabe se devem ser agora considerados exagerados. É igualmente tendo em conta estas lógicas das desrazões aparentes e das ordens reguladoras que o mundo da Medicina, e nomeadamente dos seus artefactos, em parte utilizados nos cuidados “controladores”, permitiu encontrar materiais diferentes do comum do mercado têxtil e serviu assim também de base para a construção de peças. As cores, o preto, o branco e o nude servem para colorir os vários estados de espírito vivenciados pelas personalidades representadas nesta coleção. O óbvio preto representa a depressão, o sufoco; o nude remete-nos para o sentimento de vulnerabilidade, nudez, cru; e por fim, o branco situa-nos na nostalgia e na manía.
Denise Brosseron tem o apoio de LRT, Luís Rodrigues & Teixeira, S.A.

Créditos

Coordenação maria gambina

apoio paulo cravo, aurélio marques, anita gonçalves, catarina lopes, helena cordeiro, helena sofia silva

participantes ana eusébio, cláudia duque, denise brosseron, francisca sottomayor, lúcia pinheiro, mariana campinho

evento portugal fashion, bloom

local palácio dos ctt

data 14 out 2016, 11:00

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